A medicina regenerativa, ainda pouco conhecida pelo público em geral, vem ganhando destaque no Brasil e no mundo como uma alternativa eficaz para o tratamento de lesões articulares, musculares e até dores crônicas. Em entrevista ao PodCosta, o podcast da Rádio Costa do Sol FM, o ortopedista e traumatologista Dr. Fabrício Moreira explicou que a técnica utiliza os próprios componentes do corpo do paciente, como o plasma rico em plaquetas (PRP), o aspirado de medula óssea (BMA) e até a gordura localizada. “Aquela gordurinha que incomoda a gente também pode ser usada na terapia regenerativa para regenerar os tecidos que estão lesados”, afirmou o médico, destacando que atletas como Neymar e Gabigol já recorreram ao procedimento para acelerar a cicatrização e retornar rapidamente à alta performance.
De acordo com o especialista, os resultados mais expressivos em sua prática clínica têm sido observados em pacientes com artrose no joelho, quadril e ombro. No entanto, ele faz um alerta importante: “A medicina regenerativa não é um milagre. Pacientes com quadros muito avançados podem não atingir o resultado esperado, e cada caso precisa ser avaliado individualmente.” O médico enfatiza ainda que o sucesso do tratamento depende de um “preparo do solo” – que envolve acompanhamento multidisciplinar com educador físico, nutricionista e psicólogo – e que o ultrassom se tornou ferramenta indispensável para a precisão dos procedimentos, permitindo que o profissional localize a lesão em tempo real e atue de forma assertiva.
Um dos casos que mais marcou o ortopedista foi o de uma paciente de 97 anos que queria voltar a dançar no baile da terceira idade. Com um quadro avançado que indicaria prótese, ela recusou a cirurgia e optou pela medicina regenerativa. “Fizemos o aspirado de medula e um bloqueio dos nervos periféricos. Ela voltou no retorno e disse: ‘Eu fui no meu baile'”, relembra Dr. Fabrício. O episódio ilustra o potencial da técnica mesmo em idade avançada, oferecendo alívio da dor e melhora da qualidade de vida para quem, muitas vezes, não tem condições clínicas de se submeter a uma cirurgia de grande porte.
Ainda durante a conversa, o médico abordou a importância do atendimento humanizado, especialmente no tratamento da dor crônica – condição muitas vezes invisível e negligenciada por familiares e sociedade. “A dor não tem idade, não tem cor, não tem sexo. Cada pessoa sabe o que sente”, afirmou. Dr. Fabrício ressaltou que a medicina atual pode ser “robotizada” e que o acolhimento, o olho no olho e até um abraço fazem diferença no processo de cura. Os procedimentos, segundo ele, são minimamente invasivos, feitos com anestesia local e, na maioria das vezes, em consultório, permitindo que o paciente receba alta no mesmo dia e retorne gradualmente às atividades em poucos dias.
