1ª Copa Araruama de Canoa Havaiana reúne esporte e histórias de transformação na Lagoa

Quem vê uma canoa havaiana cruzando a Lagoa de Araruama, pode pensar ser apenas mais uma cena da rotina de quem vive às margens do principal cartão-postal da cidade. Para Ana Bastos, moradora de Praia Seca, a relação com a modalidade começou exatamente assim: observando as embarcações passarem. Até que, em 2024, um convite transformou a curiosidade em paixão. Agora, às vésperas da 1ª Copa Araruama de Canoa Havaiana, que será realizada neste sábado (19) e domingo (20), a atleta se prepara para viver mais um capítulo dessa história.

Ana conheceu a canoa de longe. Ela e o marido, Jaime, já estavam acostumados a ver as embarcações na lagoa, mas imaginavam que aquele era um esporte difícil e distante da realidade deles. A rotina profissional, dividida entre empresas administradas pelo casal, também parecia não deixar espaço para uma nova atividade.

A mudança começou em 2024, quando os dois receberam um convite de alunos de uma escola de canoa havaiana da região, para participar de uma aula experimental. Ana já praticava corrida de rua, academia e pilates. Jaime, por outro lado, era sedentário, tinha sobrepeso e enfrentava problemas vasculares e nos joelhos. Segundo Ana, um médico havia alertado para a necessidade de uma mudança de estilo de vida.

Depois de muita insistência, Jaime aceitou experimentar. E gostou. Ao terminar a primeira aula, perguntou onde poderia fazer a matrícula.

A partir dali, os dois passaram a treinar juntos, inclusive nas manhãs frias e chuvosas do inverno. Pouco tempo depois, Ana descobriu também o lado competitivo da modalidade. Com apenas dois meses de prática, participou de uma competição em Barra de São João, disputou três provas e saiu de lá com a certeza de que havia encontrado algo que queria continuar fazendo.

“Eu digo que a canoa é um resgate. Ela tira as pessoas dos lugares que você fala assim: ‘não, não tem mais jeito’. Tem. A canoa tem. Ela trata a gente, ela nutre a gente, ela transforma a vida das pessoas”, contou.

A paixão rapidamente se transformou em resultados. Com cerca de seis meses de prática, Ana já disputava um campeonato estadual e, em 2025, conquistou dois títulos estaduais na categoria Open. Jaime também avançou nas competições e foi campeão Black Metal em 2025, além de receber a medalha Aloha Spirit.

Hoje, a canoa faz parte da rotina de toda a família. Os filhos gêmeos, Pedro e Júlia, de 14 anos, também remam. Ana ainda vem se dedicando à V1, modalidade individual, e ao aprendizado da função de leme na V6.

Mas a relação com o esporte ganhou um novo propósito. Neste ano, Ana decidiu cursar Educação Física para aprofundar seus conhecimentos e se preparar para trabalhar principalmente com crianças.

“Eu quero muito trabalhar com as crianças. Trazer essa oportunidade de eles estarem na água, de conhecerem o esporte e de poderem ter oportunidades. O futuro está aí, são as crianças, e a gente precisa investir nelas para que o esporte cresça e perpetue”, explicou.

A história de Ana também revela uma das possibilidades de expansão da modalidade: fazer com que a canoa havaiana chegue a mais pessoas. Para ela, apesar dos custos com equipamentos e competições, a popularização do esporte pode contribuir para torná-lo mais acessível: “Eu acho que o esporte tem que ser para todos. É acesso para todos, canoa para todos”, disse.

Histórias como as de Ana ganharão mais um capítulo neste fim de semana com a 1ª Copa Araruama de Canoa Havaiana. A competição reunirá atletas na lagoa e contará ainda com uma programação de integração e atividades abertas ao público, aproximando moradores e visitantes do esporte e da lagoa.

Para Ana, estar na água neste momento representa muito mais do que disputar uma prova. É também a continuidade de uma trajetória que começou quando ela apenas observava as canoas passando e que hoje envolve o marido, os filhos, as competições e o desejo de ajudar a formar uma nova geração de remadores.

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