Há conquistas que cabem em taças. Outras, porém, só cabem no peito. A da Cabofriense, campeã da Série A2 do Carioca Sub-20, pertence à segunda categoria. Porque essa história não começou no apito inicial, começou muito antes, lá atrás, em março de 2025, quando André, o “Balada”, ex-jogador que já vestiu camisas gigantes como a do Santos, decidiu assumir a missão de recolocar o tricolor praiano no caminho da grandeza. E mais cedo ainda, em 1955, quando a primeira Cabofriense nasceu para ser o orgulho de Cabo Frio. Pisou na elite em 1987, carregou sonhos, enfrentou fantasmas, caiu, parou… e renasceu em 1997, como quem insiste em viver porque é amado demais para sumir e tem muita história para esquecer.


“A Cabofriense é minha origem”, disse André em uma entrevista, com a voz de quem fala de casa, de família, de história. E é isso mesmo, segundo ele, quem nasceu em Cabo Frio ou tem algum parente que já passou pelo clube sabe que vestir às três cores é quase um rito de passagem.
” A Cabofriense é a minha origem”
– André Balada
A reestruturação veio como vieram as ondas das paisagens mais bonitas da cidade, lenta e constante. Profissionais capacitados, ideias novas e muito amor. E no comando, Wescley Gonçalves, ex- jogador e técnico que treinava quando nem luz havia no Aracy Machado, e mesmo assim mirava alto, pois sabia da capacidade de cada um que estava ali, batalhando todos os dias para a realização de um sonho, que muitos insistem em dizer que é “só futebol”.


O primeiro jogo, no Correão — reaberto recentemente, devolvido ao seu povo — terminou em 0 a 0. Jogo pegado, truncado, daqueles que o placar esconde a guerra travada dentro de campo. Os Pérolas Negras foram corajosos, a Cabofriense, igualmente, mas faltou o gol, e sobrou muita raça para a próxima etapa.
Na volta, em Piraí, a atmosfera era outra. Ali não se jogava apenas uma final. Ali se julgava uma história inteira. O 1 a 1 veio como quem avisa que ainda “não acabou”. E não acabou mesmo, os pênaltis seriam o capítulo final, e como toda boa crônica de futebol, precisavam de um herói.
Com o vermelho de raça, Gustavo Brasil, o goleiro que carrega o nome do país inteiro, voou como quem sabe que o destino guarda certos momentos para certas mãos. Defendeu e segurou o título. O grito entalado enfim explodiu: a Cabofriense é campeã da Série A2 Carioca Sub-20.


Os garotos da base mostraram que o futuro já começou. E que nomes como Cleiton, Higor, Yuri e tantos outros ainda vão ecoar longe, muito longe dos limites da cidade. A Cabofriense está viva, está forte e nunca foi só futebol. E vence o tricolor praiano,
“Sou Tricolor por mil razões sou o mais forte”
– Hino do Clube
Fotos: Paulo Cândido (@paulocandidofotos)
Por Duda Araujo, estagiária de Jornalismo, com supervisão de Fernanda Santana




