Tainha da Lagoa de Araruama pode ganhar Indicação Geográfica, após resultados da pesquisa da Embrapa

Esta semana, foi dado um passo importantíssimo para os pescadores que vivem da pesca artesanal na Lagoa de Araruama: o pedido de Indicação Geográfica (IG) da Tainha da Lagoa de Araruama junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Segundo o secretário municipal de Agricultura, André Mônica, a certificação vai incentivar toda a cadeia produtiva da pesca, além de estimular o comércio e o turismo em toda a região.

“O selo de Indicação Geográfica representa um marco para a nossa região. Ele valoriza o trabalho dos pescadores, fortalece a economia local e coloca a Tainha da Lagoa de Araruama em um novo patamar de reconhecimento, inclusive no mercado. A importância do avanço desse processo é imensa”, avalia o secretário.

A Identificação Geográfica é um selo de qualidade concedido a produtos que possuem características únicas, funcionando como uma certificação de qualidade. Trata-se de uma ferramenta que valoriza o produto e organiza toda a cadeia produtiva. Ele traz boas práticas, controle de qualidade, segurança alimentar e permite que o consumidor confie na origem do produto.

O processo de reconhecimento da Indicação Geográfica junto ao INPI envolve a análise técnica da documentação apresentada, incluindo estudos que comprovem a relação entre o produto e o território, além da organização dos produtores e das normas de produção. Após o protocolo, o pedido passa por etapas de avaliação e pode ser submetido a exigências até a sua aprovação. Com o registro concedido, a Tainha da Lagoa de Araruama passa a ter proteção oficial, garantindo o uso exclusivo do nome pelos produtores da região e agregando valor ao produto no mercado.

ENTENDA COMO FOI REALIZADA A PESQUISA FEITA PELA EMBRAPA

Uma pesquisa, conduzida ao longo de dois anos e 9 meses, pela Embrapa, comprovou cientificamente aquilo que os pescadores da Lagoa de Araruama sempre afirmaram: a Tainha da Lagoa de Araruama é diferente.

O estudo foi uma construção coletiva entre a Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro (Fiperj), Ministério da Agricultura, Sebrae, prefeituras locais, universidades, unidades da Embrapa, entidades que representam os pescadores dos municípios banhados pela laguna e patrocinado pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). O resultado foi apresentado no ano passado. Através das pesquisas realizadas, foi identificado que a Tainha da Lagoa de Araruama possui, entre outras coisas, maior teor de gordura e mais nutrientes.

Segundo a zootecnista, Fabíola Fogaça, pesquisadora da Embrapa responsável pela pesquisa, a análise apontou que essa qualidade diferenciada da tainha da laguna está diretamente relacionada à hipersalinidade da Lagoa de Araruama e ao modelo de pesca artesanal praticado pelos pescadores da região.

“A gente descobriu que a tainha se relaciona muito bem com o meio ambiente. Os sais presentes na água da lagoa também estão no músculo do peixe, no filé, e isso contribui para um sabor diferenciado. Além disso, ela tem maior teor de gordura, o que garante mais suculência. Conseguimos identificar diversos nutrientes, como ômegas, aminoácidos e minerais, que tornam essa tainha diferente de outras regiões. E não é só a hipersalinidade da água, a pesca artesanal também interfere, pois evita o estresse do peixe, preservando a qualidade da carne”, explica a pesquisadora.

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